A depreciação é custo? Como devo considerá-lo?

por | 13 jan, 2018 | Artigos

Você já se perguntou como considerar a depreciação nos custos do seu processo produtivo?

Um dos conceitos que gera maior confusão no que diz respeito aos custos provenientes de uma indústria é o da depreciação.

A definição do termo é relativamente simples: a diminuição do valor de um bem, resultante do desgaste, uso e passar do tempo. Ou seja: a utilização de determinada máquina produtiva, somada ao passar do tempo reduz o valor desta máquina. Sendo assim, esta diminuição de valor há de ser levada em conta quando se calcula os custos do processo produtivo.

O custo com a depreciação deve ser considerado como uma poupança para garantir a substituição deste bem, tendo em vista que, após determinado período este irá se tornar obsoleto. Ou seja, em uma empresa, considerar a depreciação nos seus custos do processo produtivo é literalmente guardar dinheiro para evitar que o parque industrial da empresa seja sucateado, garantindo assim que a capacidade produtiva da empresa sempre se mantenha.

Porém, muitas vezes, os gestores levam em conta a depreciação contábil, que representa uma prestação de contas para com o fisco, sob determinadas regras. Só que a depreciação contábil não representa, usualmente, o uso que se faz do bem nas indústrias, e por conta disto, acaba apresentando estes valores.

Para entendermos melhor esta questão, partamos para o exemplo da aquisição de um caminhão para a frota da empresa. Ao comprar o veículo, será desembolsado R$ 150.000,00, por exemplo. Contabilmente, este ativo irá se desvalorizar totalmente em 5 anos, ou seja, a uma taxa de R$ 2.500,00 por mês.

Sob a ótica gerencial, de como será usado este caminhão, as contas são diferentes. O veículo poderá ser utilizado por 10 anos, e, ao final deste período, ainda poderá ser revendido por, aproximadamente, R$ 60.000,00. Os custos da depreciação, dita gerencial, a serem considerados neste caso serão de apenas R$ 750,00 mensais. Um valor significativamente mais baixo que o da depreciação contábil, mas que deverá ser considerado nos custos mensais da frota da empresa (e, por consequência, impactar no valor do frete), de modo que ao final destes 120 meses ele possa ser substituído.

Há que se levar em conta que nem sempre a depreciação contábil é superior à gerencial. Computadores, por exemplo, devem ser contabilmente depreciados em 5 anos, porém, devido aos avanços tecnológicos, em muitos casos, em menos de 3 anos os mesmos já são praticamente inúteis do ponto de vista produtivo.

Independentemente do valor é imprescindível que os custos com a substituição de veículos, máquinas e equipamentos necessários ao processo produtivo sejam considerados pelos gestores, e incluídos quando se definem os preços de venda, de modo a garantir a perpetuidade da capacidade produtiva da empresa.

Em virtude desta diferença de percepções sobre o conceito de depreciação, é comum observar que muitas vezes os empresários nem consideram a depreciação no cálculo do preço dos seus produtos. O grande problema é que, ao final da vida útil do bem, e numa situação de fluxo de caixa reduzido, se veem na obrigação de paradas constantes das máquinas e de altos desembolsos com manutenção, já que não fizeram a poupança ao longo do tempo de uso do produto.

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