Especialista avalia desperdício em indústrias metal mecânicas de SC

por | 26 abr, 2018 | Notícias

Pesquisa mostra que aderência com base em normas internacionais é de 44,7%

André Luis Almeida Bastos: Coordenador do Projeto e Líder do Núcleo de Estudos em Gestão e Desenvolvimento de Produtos e Processos – CNPq/Furb

Em mercados cada vez mais competitivos é de suma importância que empresas busquem a eliminação dos desperdícios nos seus processos produtivos. Para isso, muitas empresas têm recorrido à Manufatura Enxuta (ME), do inglês Lean manufacturing.

 

 

A busca pela prática se justifica pelos potenciais benefícios que este paradigma de gestão da produção pode trazer às empresas tais como: eliminação de desperdícios, aumento de produtividade, redução de custos operacionais, aumento da eficiência produtiva, melhor gerenciamento dos processos internos e diminuição do tempo de resposta aos clientes.

Consiste numa filosofia originada no sistema Toyota de produção e tem como principal objetivo a eliminação dos desperdícios na organização como: estoques, superprodução, tempos de espera, transportes, excesso de movimentação nas operações, defeitos de produtos e processamento que não agregam valor.

Portanto, o objetivo é avaliar o nível de aderência das práticas das indústrias de grande e médio porte do polo metalomecânico de Santa Catarina ao padrão de ME, de acordo com as normas SAE J4000, que compõe um conjunto de características que um sistema de ME deve possuir para atingir a categoria.

As normas SAE J4000 se sustentam em 52 questões disttibuidas em 6 elementos:

  1.   Gestão e Responsabilidade: onde são avaliados o reconhecimento e envolvimento da direção e alta gerência, bem como se as iniciativas disseminadas por estes estão sendo implementadas junto ao planejamento estratégico da organização.

  2.   Pessoas: onde são avaliados o nível de participação de todos os colaboradores da organização, por meio da democratização da tomada de decisões, de uma maior autonomia, formação de equipes interdisciplinares, treinamento e garantia dos recursos para as ações dessas equipes.

  3.   Informação: avalia-se a preocupação que as empresas tem para que as informações sejam acessíveis a todos dentro da corporação, em que seja possível medir o sucesso da implantação da ME.

  4.   Fornecedores, Organização e Clientes: avalia a sinergia entre todos os elos da cadeia produtiva, a possibilidade que clientes e fornecedores tem de se envolver em melhorias dentro das empresas.

  5.   Produto: leva em consideração o uso de ferramentas ligadas à gestão do ciclo de vida de produto e a utilização de equipes multidisciplinares com competências específicas para o desenvolvimento de novos produtos.

  6.   Processo e Fluxo de Processo: onde são encontradas a maior parcela das ferramentas de gestão de ME que buscam orientar o fluxo de produção a seguir uma sincronia com as necessidades dos clientes.

Através do contato inicial com as 134 empresas do setor de médio e grande porte, de acordo com o Relatório da FIESC/2015, 105 entrevistados afirmaram possuir a ME implantada ou dispor de alguma ferramenta de ME.

Destas 63 que participaram da pesquisa, 42 empresas são de médio porte e 21 de grande porte.

A imagem abaixo apresenta os resultados gerais alcançados quanto à aderência ao padrão de ME para cada elemento da norma:

 

 

O elemento referente à Informação, foi o que obteve maior o grau de aderência em relação às práticas de ME, com 49,2%.

Um sistema em que as informações estão colocadas de forma estruturada e disponíveis a todos na corporação, torna mais fácil o acompanhamento de indicadores de desempenhos dos programas de ME através de iniciativas tomadas pelas equipes.

Já o elemento que trata da sinergia das relações entre fornecedores, clientes e organização, obteve o menor grau de aderência registrado, com 37,4%.

Este baixo grau de aderência representa que as empresas respondentes têm pouco envolvimento de clientes e fornecedores dentro do processo de melhorias.

Diante disso, o relacionamento se torna mais distante e difículta a eliminação de desperdícios dentro dos processos produtivos.

De forma geral, observa-se que o grau de aderência global das empresas respondentes foi de 44,7%.

Outro ponto foi o tempo de aplicação da ME com a maior aderência às práticas enxutas, uma vez que empresas com o tempo de aplicação superior a cinco anos com uma média de aderência de 68,2% e obtendo as maiores pontuações em todas os elementos.

A constatação de que a aderência às práticas da ME aumenta à medida em que o tempo de aplicação da ME também aumenta, é confirmada através do estudo de significância estatística.

Ao confrontar o porte da empresa com as práticas enxutas, todos elementos da norma, as empresas de grande porte apresentam melhor desempenho, obtendo um grau de aderência geral de 54,7% contra 39,7% para a aderência de práticas enxutas nas empresas de médio porte.

Entretanto, não foi observada uma correlação estatística significativa entre o grau de aderência global à ME relacionado ao porte das empresas.

Conclusão

Com auxílio das normas SAE J4000, foi possível avaliar o grau de aderência das práticas das empresas do setor metalmecânico catarinense relacionando-as ao padrão de ME.

De acordo com a avaliação baseada nos seis elementos, as indústrias deste setor possuem grau de adererência geral de 44,7% de práticas de ME.

O elemento que obteve o maior grau de aderência às práticas da ME foi o relativo à Informação, e o elemento que apresentou o grau de aderência mais baixo foi referente a Clientes, Fornecedores e Organização.

De forma geral os demais elementos apresentaram resultados muito próximos, variando de 43% a 46% em termos de aderência às práticas de ME por elemento.

Observo ainda que a correlação significativa entre o grau de aderência das práticas de ME e o tempo de implantação.

Dessa forma, é possível afirmar que para o grupo de empresas estudadas, quanto maior o tempo de implantação da ME, maior será o grau de aderência da empresa às práticas enxutas.

Em geral, as empresas de grande porte apresentam um maior grau de aderência ao padrão da ME, se comparada as empresas de médio porte, sendo 54,7% para as grandes empresas contra 39,7% das médias empresas.

Por outro lado, não foi possível identificar uma correlação estatística significante.

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